ARTIGOS CONSCIENTES

 

Fogo e paixão/Wando


 

 

 

 

 



 

 

 

 

CONSCIÊNCIA NEGRA : ARTIGOS

 

 

 

ZUMBI - A CONSCIÊNCIA NEGRA DA RESISTÊNCIA E DA LIBERDADE

 

Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.

 

O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.

 

Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares. Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.

 

O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.

 

Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.

 

Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.

 

Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

 

Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.

 

“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.

 

 

A ÁFRICA NO CARNAVAL 2007 - "Odoyá, Iemanjá; Saluba, Nanã; Eparrê, Oyá; Oraye Yê o, Oxum; Oba Xi, Obá"

 

“Candaces”

 

“Falar de Candace... É preciso olhar pra trás para ir pra frente. Porque atrás de nós tem um espelho e é nele que está nossa cara verdadeira. Nosso espelho é um espelho de Rainhas. Rainhas-Mães, Rainhas Guerreiras. Candaces. Somos herdeiros dessas Rainhas, temos a fala de nossos ancestrais”. (Trecho da peça Candaces – A Reconstrução do Fogo)

 

A partir desta inspiração inicial, o Salgueiro vem desvendar em seu enredo a história das Candaces, dinastia de rainhas da África Oriental que comandaram, antes da era cristã, um dos mais prósperos impérios do continente.

 

Mais do que uma linhagem de rainhas, Candace torna-se um conceito, através do qual a força da mulher negra se faz presente em lutas, conquistas e no legado matriarcal que venceu o tempo e as distâncias.

 

Baseados em mitos e episódios históricos, vimos reverenciá-las na forma mais viva de manifestação cultural do nosso país. Pedimos licença, bênção e proteção para apresentar a saga de mulheres africanas e afro-descendentes que mantêm em comum o laço de soberania real e espiritual sobre seus povos, estabelecendo um elo imaginário de ascendência e descendência com as rainhas Candaces, personagens centrais do nosso enredo.

 

 

As Mães Feiticeiras

 

Do grande continente africano trazemos não só a origem, mas também toda uma crença ancestral que exalta a figura feminina como a grande provedora que principiou a vida do Homem.

 

Um desses mitos conta que no início de tudo, ligadas às origens da Terra, havia as Mães Feiticeiras. Donas do destino da humanidade, elas eram o ventre do mundo. Conhecedoras dos segredos da vida, continham em si a capacidade de manipular os opostos e, assim, manter o equilíbrio do universo. Traziam consigo a força criadora e criativa do planeta. Raízes de um misticismo que abrigava em sua sabedoria a dualidade do cosmos, detinham o poder sobre a vida e a morte, o bem e o mal, o amor e a cólera, o princípio e o fim.

 

 

As Ascendentes Candaces

 

Do mito à história, através do exemplo de duas grandes rainhas da Antigüidade, exaltamos o comando de mulheres negras sobre seus povos. Assim, evocamos a primeira ascendente Candace: Mekeda, ou Rainha de Sabá.

 

Reino das mil fragrâncias, confluência das culturas árabe e africana. Sabá era uma terra rica e mantinha uma sociedade matrilinear, em que o poder era passado aos descendentes pela via feminina. Ali viveu a exuberante Rainha Negra. Atraída pela fama de riqueza e sabedoria que envolvia Salomão, o rei dos judeus, Mekeda adentrou Jerusalém com uma comitiva de camelos, levando uma infinidade de aromas e grande quantidade de ouro e pedras preciosas. Desse encontro nasceu a reverência à mulher que cativou com beleza, inteligência e diplomacia um dos soberanos mais importantes de sua época.

 

Do Oriente, rumo ao império dos faraós, surge mais um exemplo do poder feminino negro. Nefertiti reinou no Egito por mais de uma década durante o apogeu de uma civilização que iria influenciar toda a humanidade. Reverenciada por sua beleza, governou ao lado de Amenófis IV (Akhenaton) com status equivalente ao dele. Juntos, implementaram reformas culturais e religiosas, dentre elas o culto ao Deus Sol Aton. Foi imortalizada em templos mais do que qualquer outra rainha egípcia.

 

 

Candaces

 

Ao sul do Egito, banhado pelo Nilo, havia o Império Meroe. Era governado por uma dinastia de soberanas negras que exerciam o poder civil e militar. Imortalizadas pela história como Candaces, estas bravas guerreiras nasceram sob o signo da coragem para ocupar posição de poder e prestígio. Numa forma de conexão com as tradições matriarcais da África, reinavam sobre seu povo por direito próprio, e não da qualidade de esposas.

 

Viviam o apogeu de uma era de esplendor e fartura, abençoadas pelo grande rio e impulsionadas pelo comércio com o Oriente Médio. A localização do império permitia um intenso intercâmbio com outros povos – hebreus, assírios, persas, gregos e indianos. Em suas terras, ricas em ferro e metais preciosos, ergueram-se pirâmides e fortalezas.

 

Seus exércitos usavam armas de ferro e cavalaria, ferramentas e habilidades herdadas dos povos núbios, que lhes davam vantagem no campo de batalha. A idolatria daquela civilização pelos cavalos era tanta que estes animais eram enterrados junto com seus guerreiros, para serví-los por toda a eternidade. Esta imagem, misto de homem e cavalo, alcançou a Grécia, inspirando o surgimento da figura mitológica do Centauro. Na religião, cultuavam Apedemek, Deus da guerra e da vitória, representado por um homem com cabeça de leão.

 

A prosperidade de Meroe, que deu prosseguimento ao domínio Núbio na região, atraiu a ira dos senhores do mundo, o Império Romano. Aqui tem início o episódio que marcou a história das Candaces.

 

Líderes de um movimento de resistência contra o poderio bélico dos invasores, enfrentaram o forte exército, aliando técnicas de guerrilha e diplomacia. Uniram seu povo na luta contra o jugo romano movidas pela sede de justiça e liberdade.

 

Após a invasão de Petronius, a Rainha Candace esperou que as tropas do general adormecessem e os surpreendeu com um ataque. Este movimento abriu a possibilidade para uma negociação diplomática, comandada pela soberana negra. O resultado foi a retirada dos soldados romanos e a demarcação do território de Meroe, devolvendo a paz ao seu povo. Assim foi escrito o mais importante episódio que marcou a nobre dinastia de guerreiras naquele império africano.

 

Mas os exemplos de comando e resistência de bravas negras continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Para além de seus próprios domínios, emergiu a saga das Candaces, Rainhas-Mães que se fizeram deusas, reinando na crença de suas descendentes espalhadas pela Terra, porta-vozes da sua luta por toda a história.

 

 

As Descendentes

 

Várias luas se ergueram e se puseram no céu do continente negro. Um dia, rainhas e princesas de tribos e reinos se viram obrigadas ao trabalho forçado no novo mundo. Mas foi ali que fizeram multiplicar o sangue Candace. Em uma terra tão distante, ligadas ao passado, mulheres negras geraram o valor da bravura herdade de suas ancestrais.

 

A palavra liberdade ganhou um significado mítico no Brasil, dando um novo sentido à vida levada entre a clausura e o trabalho forçado. A bravura da dinastia Candace foi eternizada pela tradição oral africana, que tratou de espalhar aos quatro cantos os grandes feitos das suas soberanas, inspirando a luta de guerreiras que subverteram a força dos seus senhores e lutaram pela liberdade.

 

Para elas, ser livre era também reverenciar seus costumes, reviver o passado soberano, encenar a memória dos seus antepassados. Em folguedos, foram eternizadas na glória real da corte negra. No novo continente, há o despertar para o misticismo trazido do outro lado do Atlântico. A construção da identidade africana no Brasil encontra nas celebrações e ritos toda uma reverência à mulher como mediadora entre os deuses e a humanidade.

 

Na Bahia, as escravas ganhadeiras vendiam o excedente de produção em feiras e mercados como em sua terra natal. O lucro era poupado para comprar suas alforrias e a dos maridos, tornando-as mulheres com voz ativa.

 

No chão brasileiro, era revivida a tradição das feiras iorubanas, um espaço não só para trocas de mercadorias, mas também para trocas simbólicas. A mulher concentrava o poder de fechar negócios, disseminar notícias, modas, receitas, músicas, e, sobretudo, aconselhar.

 

Assim, tornaram-se as grandes mães negras, sacerdotisas que tiveram suprimido o poder real na África, mas que passaram a exercer o poder espiritual no novo mundo.

 

Os elos entre arte e religião se tornaram mais fortes. As mães de santo se transformavam em mães de samba. Tia Ciata, a mais conhecida, era respeitada por sua sabedoria religiosa. Celebrava os orixás em cerimônias em sua própria casa, que sucediam festas regadas a muita música, batuques e quitutes. Um misto de consagração da música e dos deuses afro-brasileiros.

 

 

Salve as Candaces do Candomblé, evocadas na saudação às entidades femininas.

 

 

Odoyá, Iemanjá!, rainha das águas do mar; Saluba, Nanã!, deusa da Terra; Eparrei, Iansã!, senhora dos raios; Orayê-yê o, Oxum!, guardiã da beleza e do amor; Oba-xi, Obá!, senhora das águas revoltas.

 

Celebração de religião e do puro prazer de dar ao corpo o gingado malemolente, fruto da persistência destas rainhas, sacerdotisas, baianas, pastoras, mães negras do carnaval.

 

A Imortalidade

 

Mulher. Negra. Gênero e raça. São as Candaces dos nossos dias, herdeiras do laço afro e da missão de semear esperança na Terra. Provedoras da força que nos acompanha desde os primeiros passos. Detentoras do relicário da arte em prol do coletivo.

 

Majestade, soberana, guardiã da sagrada chama da vida, dona do carnaval. Derrama teu talento ao interpretar a história da raça; enfeitiça os sentidos com tua beleza negra, libertando corpo e alma. Eleva-te ao panteon das matriarcas ancestrais da África e invoca a Candace dentro de ti. Resgata a força feminina das guerreiras imortais, Rainhas-Mães de todos os tempos, para abençoar e iluminar teus filhos, emanando o Axé, poder vital da bondade e do afeto, energia que comanda o mundo.

 

Hoje, recontamos as glórias de quem um dia cumpriu seu destino e fez história, revivida sempre que alguém invocar teu nome. Salve as Candaces! Raça e gênero num só coração. Renato Lage, Márcia Lavia e Diretoria Cultural

 

 

LETRA DO SAMBA-ENREDO

 

CANDACES

 

Majestosa África
Berço dos meus ancestrais
Reflete no espelho da vida
A saga das negras e seus ideais
Mães feiticeiras, donas do destino...
Senhoras do ventre do mundo
Raiz da criação
Do mito a história
Encanto e beleza
Seduzindo a realeza

 

Candaces mulheres, guerreiras.
Na luta... Justiça e liberdade
Rainhas soberanas
Florescendo pra eternidade

 

Novo mundo, novos tempos.
O suor da escravidão
A bravura persistiu
Aportaram em nosso chão
Na Bahia... Alforria
Nas feiras tradição
Mães de santo, mães do samba!
Pedem proteção
E nesse canto de fé
Salgueiro traz o axé
E faz a louvação

 

Odoyá Iemanjá; Saluba Nanã!
Eparrei Oyá;
Orayê Yê o, Oxum!
Oba Xi Obá.
Ouça um trecho do samba. Acesse:
www.salgueiro.com.br

 

 

 

 

EM TRÊS NOVELAS GLOBAIS, PROTAGONISTAS SÃO NEGRAS

 

Em um de seus trabalhos na Globo, “Sinhá Moça” (2006), Ruth de Souza, 88, uma das primeiras atrizes negras a fazer TV no Brasil, reclamou: seu papel não tinha nome, era apenas “a velha”. Seu par, vivido pelo ator também negro Clementino Kelé, era o Pai Tobias. “Eu disse: ‘Será possível que a pobre dessa personagem não tenha nem nome?’. Aí botaram Mãe Maria. E falei: ‘É Mãe Maria, Pai João e o moleque de recados. Como sempre. E nós já estamos no século 21.”

 

Naquela trama, Ruth seguiu com o mesmo nome e, agora, três anos depois, vê “alguma mudança”. De quatro novelas da Globo, três têm negras como protagonistas: Taís Araújo, em “Viver a Vida”, Camila Pitanga, em “Cama de Gato”, e Élida Muniz, em “Malhação”.

 

“Está na moda. Estão acreditando que podemos fazer. Até então, éramos vistos como Pai João, Mãe Maria e o moleque de recados”, diz a atriz, que protagonizou “A Cabana do Pai Tomás” (1969). Nela, Sérgio Cardoso, como diz a Globo, “precisou pintar rosto e corpo de preto, usar perucas e inserir rolhas no nariz” para viver um negro.

 

Na versão “moderna” (e oposta) da caracterização, Taís Araújo, 30, usou peruca para ter o cabelo perfeitamente liso em “A Favorita” (2008). Já em “Viver a Vida”, assumiu o cabelo crespo. “Pela primeira vez, temos uma Xuxa negra”, avalia Joel Zito Araújo, autor do livro e do filme “Negação do Brasil”.

 

“Taís é Xuxa no sentido icônico, de um modelo carismático de beleza”, diz. Ruth de Souza concorda: “É a volta do ‘black is beautiful’”. Ou um “modismo”, como diz José Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

 

Embora “a escalação não seja estratégia de marketing”, diz ele, “há um marketing em cima desse crescimento”. “Reconhecer que o negro é igual é importante e politicamente correto. É entrar na tendência.” A inserção do negro, no entanto, não “rompe com a carga secular de estereótipos. Não podemos cair na visão ingênua de que, agora, as novelas vão defender o negro como modelo de pureza e beleza”, diz Joel.

 

Para o cineasta, o fato é ainda reflexo da estética da TV e do cinema dos EUA, que popularizou artistas negros como Will Smith, e de mudanças sociais: passou de 45% para 51% a porcentagem dos que se declaram pretos e pardos no Brasil (de 1998 para 2008). E cresceu de 8% para 15% a presença no grupo do 1% mais rico do país.

 

ATORES NEGROS OPINAM SOBRE O SUCESSO

 

"Sem cota"(título que a Folha deu sobre a matéria)

 

Por 20 dias, a Folha procurou Camila Pitanga e Taís Araújo para falar sobre o assunto, mas não foi atendida.

 

Em outra entrevista, Camila afirmou que o fato de ter três protagonistas negras no ar é “uma conquista histórica”.

 

Em comunicado, a Globo informou que “pela legislação, cabe somente à própria pessoa indicar sua origem racial”. Por isso, não diz quantos atores negros estão no ar.

 

Já a Record tem sete negros em duas novelas. Em “Poder Paralelo”, de 50 papéis, eles interpretam três. “Nas reuniões de escalação de elenco, sempre se alerta sobre a importância de escalar atores negros”, diz o autor Lauro Cesar Muniz.

 

Para o diretor da Central Globo de Comunicação, Luis Erlanger, o que se vê nas novelas agora é “coincidência”. “Na escalação, coincidiu que diretores e autores convocassem atores negros. Está coincidindo agora? Está. Pode não coincidir nas próximas [novelas]? Pode.”

 

 

Questão comercial

 

Formado no Bando de Teatro Olodum, grupo de atores negros, Lázaro Ramos, 30, diz que isso é “motivado também por questão comercial”. “Produtos com negros têm boas audiências.” Exemplo: “Cobras & Lagartos” (2006), com ele, Taís e Milton Gonçalves, teve, em média, 45 pontos no Ibope.

 

“Não gosto de levar esse debate para a questão social, da diversidade. Não é questão social, mas artística”, diz o ator.

 

Como Lázaro, Dani Ornellas foi do teatro e cinema à TV. Aos 31, contabiliza oito longas.

 

Na TV, porém, fez três novelas –duas como escrava e uma como iaô do candomblé. “Televisão é mais difícil. Não é o fato de estar como escravo ou empregado, mas da importância na trama. Não adianta ter negros à margem da história.”

 

Para Ruth e Lázaro, há outra questão: faltam autores negros. “Como o autor vai escrever um bom papel se ele só vê as negras na cozinha dele? Ou no samba com o bumbum rebolante?”, questiona Ruth. “A tendência da TV, com os mesmos autores, é que as histórias fiquem no mesmo universo”, diz Lázaro.

 

Os autores apontam para outro lado: até então, “existia uma grande carência de atores mais jovens”, afirma Silvio de Abreu, de “Belíssima” (2005). “O que muda não é a cor da pele, mas o interesse do autor. Ninguém vai arriscar escrever um papel importante se não tiver ator para interpretá-lo.”

 

Ele completa: “Antigamente, quando se pensava uma família negra, havia os pais (Zezé Motta, Milton Gonçalves, Antônio Pitanga) ou os avós (Ruth de Souza, Grande Othelo)”.

 

Já João Emanuel Carneiro, de “Cobras & Lagartos” e “Da Cor do Pecado” (2004), diz que “temos excelentes atores negros e é importante que eles não façam papéis de ‘negros’”. Por AUDREY FURLANETO da Folha de S.Paulo

 

 

 

20 DE NOVEMBRO - CONSCIÊNCIA JÁ

 

Durante muito tempo a questão do negro no Brasil só era lembrada na data 13 de maio, dia da assinatura da Lei Áurea, em 1888, abolindo a escravatura.

 

Normalmente nessa data nas escolas, as crianças negras faziam o papel de escravos e a loirinha se vestia de princesa Isabel, nada era falado sobre a resistência e as lutas dos negros. O destaque era pela ação da princesa Isabel.

 

Nos anos 70 , com o surgimento dos Movimentos Negros, ocorreu a denúncia desse equívoco e distorção. Assim, começou uma luta para que o povo brasileiro lembrasse e conhecesse as lideranças negras e as muitas ações de resistências dos negros africanos através da história.

 

Um dos pontos principais do Movimento Negro da atualidade foi enunciar que o dia 13 de maio não deve ser comemorado enfatizando a passividade do negro diante da ação misericordiosa do branco, afinal, durante a escravidão houve muitos movimentos de luta e resistência em diversas regiões do país. Dessa forma, atualmente os Movimentos Negros atribuem um significado político ao 13 de maio, ou seja, promovem esse dia como o dia Nacional de Luta Contra o Racismo.(Treze de maio é dia do santo dos negros, o São Benedito).

 

O Movimento Negro também deu destaque ao 20 de novembro, dia da morte de Zumbi – do Quilombo dos Palmares – como uma data a ser lembrada e comemorada, já que ele é considerado um dos principais símbolos de luta e resistência contra a opressão e exclusão vivenciada hoje pelos afro-descendentes.

 

A intenção de comemorar essa data – 20 de novembro – se deu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O primeiro passo foi dado, conta o historiador Alfredo Boulos Júnior, pelo poeta Oliveira Silveira, membro do Grupo Palmares, uma associação cultural negra. Ao conhecerem o livro “O Quilombo dos Palmares”, de Edison Carneiro (baiano), os participantes dessa associação entenderam que Palmares foi a maior manifestação de resistência negra na história brasileira.

 

No dia 20 de novembro de 1971, no Clube Náutico Marcílio Dias, fez-se a primeira homenagem a Zumbi dos Palmares. Esse foi o primeiro passo para que ocorresse em Salvador no dia 7 de julho de 1978, uma proposta pelo MNU – Movimento Negro Unificado – para que em 20 de novembro fosse o dia Nacional da Consciência Negra. Associações e Movimentos Negros de todo o país aceitaram a proposta e essa data representa o resgate no sentido político de luta, da resistência contra a opressão social.

 

Assim, a partir da década de 70, Zumbi passou a ser valorizado no contexto de luta contra o mito da “democracia racial”, auxiliando na desmistificação que a história apregoa sobre o tipo de relações raciais desenvolvidas no Brasil, como sendo uma escravidão pouco violenta e de resistências sem tanta importância.

 

A visão da “democracia racial” ainda tenta apresentar para a sociedade a idéia de que os diferentes grupos étnico-raciais no Brasil existentes viveram e ainda vivem harmoniosamente diferentes da resistência dos outros paises. Daí a importância de Zumbi dos Palmares, sua representação ativa e rebelde se contrapõe a toda essa idéia instituída pelo branco. A imagem de Zumbi não só representa a resistência negra, mas, contribui também, para que negros e brancos compreendam, aceitem e reconheçam as diferenças humanas.

 

Em 2003, foi sancionada a lei 10.639/03 sendo instituída obrigatoriedade da inclusão da História da África e da Cultura Afrobrasileira no currículo das escolas pública e particular de ensino fundamental e médio. A lei também determina que o dia 20 de novembro deverá ser incluído no calendário escolar como dia Nacional da Consciência Negra.

 

Toda essa nova leitura sobre o negro se deve principalmente à luta da Comunidade Negra e dos Movimentos Negros de todo Brasil. Ao relembrar toda essa trajetória de vitórias não só do negro, mas, também do povo brasileiro, afetado, de um modo geral e em se tratando de um povo miscigenado (herdeiro de um jeito guerreiro de ser - nunca desistimo- é hora de conclamar a todos para refletir sobre a necessidade de acabar com o preconceito racial. Merecemos uma país melhor . (http://www.overmundo.com.br/)

 

 

 

NEGRITUDE - UMA QUESTÃO DE VALORIZAÇÃO OU PRECONCEITO ?

 

O CONCEITO DE NEGRITUDE

 

Define-se negritude como um movimento literário que surgiu em França, na década de trinta, dirigido por L. Senghor, A. Césaire e L. Damas, através do qual se combatia o racismo, o colonialismo e se exaltavam os valores da cultura africana.

 

Em fase posterior, o movimento de negritude serviu de base à implementação das doutrinas socialistas, com características particulares, dos líderes africanos Leopold Senghor (n. 1906) do Senegal, Sékou Touré (1922-1984) da Guiné e Julius Nyerere (n. 1922) da Tanzânia.

 

Sem a escravização e a colonização dos povos negros da África, a negritude, essa realidade que tantos estudiosos abordam não chegando a um denominador comum, nem teria nascido.

 

O seu conceito reúne diversas definições nas áreas cultural, biológica, psicológica, política e em outras. Esta multiplicidade de interpretações está relacionada à evolução e à dinâmica da realidade colonial e do mundo negro no tempo e no espaço. Uns consideram a negritude superada e ineficaz, pois a realidade colonial que a provocou não existe mais.

 

Outros entendem como uma extensão da linguagem racista branca que lhe deu origem: uma mistificação de natureza colonial, daí a sua incapacidade de criar uma ruptura. Em outras palavras, o conceito de negritude assumiu a inferioridade do negro forjada pelo preconceito do branco.

 

 

 

CONDIÇÕES HISTÓRICAS

 

Quando os primeiros europeus desembarcaram na costa africana em meados do século XV, a organização política dos Estados africanos, já tinha atingido um nível de aperfeiçoamento muito alto.

 

A ignorância em relação à história antiga dos negros, as diferenças culturais, os preconceitos étnicos entre as duas raças que se confrontam pela primeira vez, tudo isso mais as necessidades econômicas de exploração predispuseram o espírito do europeu a desfigurar completamente a personalidade moral do negro e suas aptidões intelectuais negro torna-se, então, sinônimo de ser primitivo, inferior, dotado de uma mentalidade pré-lógica.

 

E, como o ser humano toma sempre o cuidado de justificar a sua conduta, a condição social do negro dos seus pretendidos caracteres menores. No máximo, foram reconhecidos nele os dons artísticos ligados à sua sensibilidade de animal superior. Tal clima de alienação atingirá profundamente o negro, em particular o instruído, que tem assim a ocasião de perceber a idéia que o mundo ocidental fazia dele e do seu povo. Na seqüência, perde a confiança em suas possibilidades e nas da sua raça, e assume os preconceitos criados contra ele. É nesse contexto que nasce a negritude.

 

 

 

A METÁFORA DO PRECONCEITO E AS CONOTAÇÕES DA PALAVRA "NEGRO"

 

Será que isso é “coisa de pele”?

 

Em uma sociedade preconceituosa, o negro é visto como ser inferior, primitivo, retardado, delinqüente, perverso, desonesto, tolo, possuidor de maus instintos, sujo, irresponsável, preguiçoso, incapaz, etc. Esses preconceitos tornam-se traços semânticos das palavras preto/negro que vão sendo reproduzidos em inúmeras metáforas que utilizam essa cor.

 

As metáforas que utilizam signos que representam a cor negra, introjetam inconscientemente até mesmo no falante de afro-descendência o preconceito racial/social. Essas metáforas fazem parte de nosso sistema conceitual e seu uso intenso faz com que o falante incorpore, e passe a considerar como seus, os valores preconceituosos que permeiam a linguagem.

 

A interpretação da metáfora está ligada às idéias de denotação e conotação, ou seja, à significação com valor REFERENCIAL e à significação associada a valor EMOCIONAL.

 

Assim: “O dia hoje está negro” teria como sentido denotativo um dia sem sol, com nuvens escuras e como sentido conotativo ou metafórico, um dia cheio de problemas, aborrecimentos ou tensões.

 

“Ele é um negro de alma branca” está produzindo um enunciado falso, pois não se atribui cor à alma. No entanto, a intenção da metáfora é dizer outra coisa, como, por exemplo, "ele é um negro que possui qualidades próprias das pessoas brancas".

 

"A situação está preta", descreve uma idéia real, mostra que alguma coisa não está bem, está adversa, ruim, etc. A idéia implícita "negro é ruim, adverso", no entanto, é falsa, preconceituosa, introjetada em nossas mentes, como se fosse um atributo da palavra negro.

 

“Isso é trabalho pra negro” enfatiza-se aí a escravidão, a desigualdade, a exclusão e o racismo através da palavra negro.

 

“O diabo não é tão preto como se pinta” associa a palavra preto à figura e ao comportamento demoníaco.

 

“A fome é negra” utiliza a palavra "negro" para enfatizar o desespero e a desolação com o problema da fome.

 

 

Vocabulário que carrega preconceitos

 

câmbio negro: comércio ou transação ilegal.

 

mercado negro ou câmbio negro: comércio ilegal.

 

prejuízo preto: prejuízo imenso.

 

caixa-preta: falta de transparência.

 

lista negra: relação de coisas ou pessoas consideradas prejudiciais.

 

humor negro: humor que choca pelo uso de elementos mórbidos ou macabros

 

magia negra: bruxaria.

 

peste negra: doença que assolou a Europa na Idade Média.

 

ovelha negra: pessoa ou entidade que se destaca pelo mau procedimento.

 

besta negra: inimigo, problema de difícil solução.

 

asa negra: pessoa que prejudica ou embaraça um grupo com freqüência.

 

língua negra: vala que despeja esgoto no litoral ou nos mananciais.

 

mancha negra: vergonha.

 

lado negro: lado ruim, negativo.

 

 

 

 

A ALQUIMIA RÚSTICA - A HERANÇA DA SABEDORIA ANCESTRAL PELA
TERAPIA DAS ERVAS E DOS AMULETOS

 

A medicina rústica africana chegou ao Brasil com a sabedoria e a ancestralidade dos povos sudaneses e bantos que através da tradição secular contribuíram muito na medicina popular com seus tratados alquímicos e manipulações artesanais de elementos da própria Mãe Natureza.

 

Dentre muitos desses elementos, buscaram principalmente no encanto das ervas, raízes, folhas e sementes, misturados às práticas rituais e religiosas, a terapia e a cura para muitos males, inclusive os do espírito.

 

Além disso, trouxeram também, como reminiscência, a magia dos banhos de purificação, gorduras animais para fricções, ungüentos aquecidos, grande volume de macerados e infusões, cataplasmas, vomitórios, purgatórios, defumação médica e espiritual, banhos quentes, tônicos, suadouros, sarjaduras e emolientes, afrodisíacos, vermífugos e grande variedades de temperos e aromas.

 

A medicina rústica africana poderá ser entendida como um corpo de conhecimentos e práticas médicas, que se desenvolveu numa dinâmica própria, com base na sabedoria dos ancestrais.

 

Trata-se de uma medicina sincrética, que envolve componentes herdados da medicina dos antepassados que vão sendo reinterpretados e adequados às realidades do presente, somados a elementos resultantes de influências indígenas e européias.

 

Com a chegada ao Brasil dos primeiros africanos de origem banto e sudanesa, oriundos de regiões localizadas abaixo do Equador, começaram os contatos destes com os indígenas, que foram passando seus conhecimentos sobre as plantas nativas e os papéis que as mesmas desempenhavam em seus rituais religiosos e de cura. A partir dai os negros passaram a usá-las, também, em suas reuniões religiosas.

 

Pode-se considerar que as plantas empregadas na medicina popular e nos sistemas de crenças afro-brasileiros desempenham duplo papel: religioso e terapêutico.

 

É tal a importância das plantas nesses sistemas de crenças, que sem elas, certamente tais religiões não existiriam.

 

E é exatamente o preto-velho curandeiro que, a partir do século XVII, já influenciado pelo sincretismo religioso quem vulgariza o uso das ervas nas rezas, benzeduras, defumatórios e banhos de purificação e na medicina folclórica do Brasil; todos estes artifícios aliados aos passes, orações, além dos bentinhos, medalhas, patuás, crucifixos, escapulários colocados junto aos doentes. Tradição e herança culturais que se preservam até os dias de hoje.

 

Nos rituais afro-brasileiros as plantas desempenham papéis específicos dentro dos mesmos, visto que tais papéis sugerem estar estreitamente relacionados com os princípios ativos presentes nas plantas, os quais são responsáveis pelas atividades biológicas desencadeadas após serem consumidas.

 

Nessas situações as plantas de ação psicoativa podem estar relacionadas com os transes de possessão, embora saibamos que outros elementos estão presentes, tais como o som dos atabaques, a dança, o canto, as palmas repetidas, elementos esses que se interagem envolvendo os participantes e propiciando aos médiuns as incorporações a que estão sujeitos.

 

É, portanto, somente sob a ótica da Etnofarmacobotânica e da Etnofitoterapia que poderemos compreender o papel das plantas e os seus significados na Cultura Popular Brasileira.

 

 

 

 

SALVE A BAIANA ! AXÉ BAHIA DO ACARAJÉ!

 

BAIANA - UM SÍMBOLO DA ANCESTRALIDADE E DA CULTURA

 

No dia 25 de novembro, o Pelourinho fica mais bonito, quando cerca de 400 baianas de acarajé, com seus trajes típicos, esbanjando simpatia e carisma, são as personagens principais das festividades em homenagem ao dia do símbolo tanto cantado por Caymmi e retratado por Jorge Amado e Caribé. A data é comemorada intensamente por estas mulheres que são o símbolo mais forte da cultura popular baiana, um verdadeiro “cartão-postal” da Bahia.

 

O dia da baiana abre o calendário oficial de festas da cidade. A data, comemorada há 13 anos, movimenta o Centro Histórico com missa na Igreja de N. S. do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, além de manifestações culturais no Memorial das Baianas. O ponto alto da festa é a missa realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos .

 

Depois da missa, tradicionalmente as baianas seguem em cortejo para o Memorial das Baianas, localizado no Belvedere da Praça da Sé e caem no samba de roda para comemorar com muita alegria a homenagem. Não é a toa que a baiana exerce tanto fascínio sobre os turistas e os baianos. O jeito meigo e a hospitalidade que lhes são peculiares cativam qualquer um, sem falar na sua indumentária, rica em detalhes e adereços, que foi imortalizada na figura da baiana estilizada com a internacional Carmem Miranda. Baiana de verdade tem quem ter torço, bata, pano de costa, saia rodada, anágua, sandália e os adereços que incluem as contas do orixá.

 

As africanas vendedoras de comida foram as primeiras baianas que Salvador conheceu ainda na época da colônia. Alforriadas ou escravas de ganho, elas vendiam de porta em porta, beijus, cuzcuz, bolinhos e outras iguarias da culinária afro-baiana. Saiam impecavelmente vestidas com batas, saias brancas, torso e pano da costa, enfeitadas de colares, brincos e pulseiras (os balandangãs) e colocavam os tabuleiros equilibrados na cabeça. Até a comida mais famosa de Salvador, o acarajé, era vendida de porta em porta.

 

Na sua origem, o acarajé só podia ser vendido exclusivamente pelas filhas de santo de Iansã (Santa Bárbara no sincretismo entre o Catolicismo e o Candomblé), em cumprimento à obrigação do seu Orixá, que determinava inclusive o tempo em que essa obrigação deveria ser mantida.

 

O preparo dos bolinhos – uma massa de feijão fradinho, cebola e sal frita no azeite de dendê - era feito dentro do próprio terreiro de Candomblé, de onde a baiana saía com todos os preceitos que a situação exigia, ostentando um colar de contas vermelhas para simbolizar que era filha de Iansã.

 

Há mais ou menos 50 anos, vender acarajé tornou-se um meio de vida para a população afro-descendente de Salvador, ligada ou não ao Candomblé.

 

 

 

A CULTURA DO HIP-HOP

 

A cultura Hip-Hop é formada pelos seguintes elementos: O rap, o graffiti e o break.

 

Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, que é a expressão musical-verbal da cultura negra da periferia.

 

Graffiti - que representa a arte plástica, expressa por desenhos coloridos feitos por graffiteiros, nas ruas das cidades espalhadas pelo mundo.

 

Break Dance - que representa a dança e a expressão do corpo. Os três elementos juntos compõe a cultura hip-hop.

 

O termo hip hop, alguns dizem que foi criado em meados de 1968 por Afrika Bambaataa. Ele teria se inspirado em dois movimentos cíclicos, ou seja, um deles estava na forma pela qual se transmitia a cultura negra dos guetos americanos, a outra estava justamente na forma de dançar popular na época, que era saltar (hop) movimentando os quadris (hip)...

 

Se existe alguém responsável pela criação da música Break Beat, foram Kool D.J. Herc, Afrika Bambaataa e Grand Master Flash, os que vieram depois só ajudaram a construir o que chamamos de HIP-HOP.

 

O RAP:

 

Como já disse anteriormente rap quer dizer ritmo e poesia. Ao contrário de que muitos pensam e dizem por aí, o rap foi criado na Jamaica e não nos Estados Unidos... Por volta de 1960 na Jamaica existiam os "sound systems" muitos populares na ilha, pois sem dinheiro a população dos guetos ia para as ruas e ficava escutando músicas nesses "sound systems" que eram na época algo como hoje em dia é um trio elétrico para nós aqui, só que em escalas bem menores...Daí então com as músicas com ritmos jamaicanos rolando os "toaster" que eram como os mc's (mestre de cerimônias de hoje) ficavam falando frases e discursos sobre as carências da população, os problemas econômicos, a violência nas favelas, enfim sobre a dificuldade em geral da classe baixa dos guetos.

 

A ida desta nova forma de música para América até então, aconteceu no início de 1970, pois vários jamaicanos tiveram que deixar a ilha do Caribe e emigrarem para a América por problemas econômicos e políticos, trazendo em sua bagagem toda a sua experiência naquele ritmo dos guetos da Jamaica. Daí então com a divulgação do novo estilo de se fazer música até então, desconhecido por lá, começou a surgir grupos de rap por todo gueto de NY.

 

O GRAFFITI:

 

O graffiti em si não há uma citação na história do hip-hop onde ele começou primeiro, ou de que forma foram criadas letras e formas de se desenhar, mas há quem diga que ele foi o primeiro elemento a ser formado. Naquela época, gangues disputavam demarcando becos, muros e trens com seus nomes. Aos poucos a demarcação foi tomando segundo plano para uma verdadeira e nova forma de expressão artística, onde garotos com seus elementos futuristas ditavam novos estilos com o bico do ‘spray’.

 

 

 

O HIP HOP NO BRASIL

 

 

O nome HIP HOP surgiu no Brasil na década de 80. Ainda não existiam movimentos que retratavam exatamente o fundamento, o significado na íntegra desta cultura, porque todo aquele povo da época (a grande maioria) desconhecia este nome HIP HOP. O que na época foi propagado e muito na mídia, era a febre chamada BREAK DANCE.

 

Break era a dança do momento na época, que jamais deixou de ser um elemento importantíssimo e imprescindível para o crescimento do movimento no Brasil.

 

Sendo assim: 1984, foi o ano oficial da chegada da Dança de Rua no Brasil e o surgimento dos B.Boyings, Poppings e Lockings.

 

Dizem que existiram pessoas isoladas que já começaram a dançar em meados de 1983, mas foi mesmo em 1984 que a mídia, através dos jornais, documentários, revistas, comerciais de TV e filmes que propagou em massa a chegada da nova dança.

 

Em todos os lugares via-se pessoas com roupas coloridas, óculos escuros, tênis de botinha, luvas, bonés e um enorme rádio gravador mostrando os primeiros passos, do que se tornaria mais tarde uma cultura bem mais complexa. São os chamados rappers.

 

Na terra brasilis o hip hop na década de 80, contou também com as equipes de Som, estilo black music, como: Chic Show, Black Mad e Zimbabwe e algumas revistas. E é claro dos discos que apareciam na galeria da rua 24 de maio, com o intuito de divulgar o movimento da cultura musical das ruas e da periferia.

 

 

 

Os 4 elementos do Hip Hop são:

 

- O BREAK: representa o corpo através da dança;

 

- O MC : a consciência, o cérebro;

 

- O DJ: a alma, essência e raiz;

 

- O GRAFFITI: a expressão da arte, o meio de comunicação...

 

 

 

TEXTO: 20 DE NOVEMBRO : REFLEXÕES

 

O dia 20 de novembro é o dia da Consciência Negra. A data foi escolhida pelo Movimento Negro em contraposição ao 13 de maio (dia da suposta abolição da escravatura) e é uma homenagem a Zumbi dos Palmares, que faleceu neste dia há 308 anos. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares - que é considerado o maior foco de resistência negra à escravidão no Brasil. Mais de três séculos após a sua morte, constata-se que o racismo não deixou de existir, ou de se manifestar cruelmente. Na verdade, a opressão de cor somente modernizou-se, assim como a sociedade da opressão modernizou suas formas de dominação durante os anos.

 

As diversas organizações ligadas à questão racial têm esta data como um ponto de convergência para manifestações e reflexões sobre suas formas de luta e atuação por uma sociedade que saiba respeitar, contemplar e congregar as diferenças. Podem ser tomadas como exemplo a adoção - em meio a muitas discussões ainda em vigência - das Ações Afirmativas - cotas para negros, que já estão em vigor em algumas universidades e a lei que obriga o ensino da História africana e afrobrasileira nas escolas, por exemplo.

 

Manifestações, atos e passeatas são organizados em todas regiões do país. Ter consciência negra, significa que ser negro não é defeito, quer dizer apenas pertencer a uma etnia que não é pior e nem melhor que outra, e sim, igual.

 

Ter consciência negra, significa compreender que não se trata de passar da posição de explorados a exploradores e sim, lutar junto com os demais oprimidos, para fundar uma sociedade onde todos na prática, tenham iguais direitos e iguais deveres.

 

O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos.

 

Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares. ( http://www.geledes.org.br)

 

 




 

 

 

RECADOS

 

 

 

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